Infecção sexualmente transmissível pode ser tratada e curada
A tricomoníase é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais prevalentes no mundo, afetando milhões de pessoas anualmente, mas muitas vezes passando despercebida devido à ausência de sintomas evidentes.
Causada por um parasita protozoário chamado Trichomonas vaginalis, essa condição pode impactar tanto homens quanto mulheres, interferindo na saúde geniturinária e aumentando o risco de outras complicações se não for tratada adequadamente.
A seguir, conheça de forma detalhada os sintomas, como a infecção se espalha, os métodos de diagnóstico, os tratamentos disponíveis e as estratégias preventivas.
Índice
O que é a tricomoníase
A tricomoníase é uma infecção causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, um microrganismo unicelular flagelado que se instala no trato geniturinário humano. Esse parasita, que não é uma bactéria nem um vírus, mas um protozoário — ou seja, um organismo eucarionte simples capaz de se mover por meio de flagelos —, infecta principalmente a vagina nas mulheres e a uretra nos homens, embora possa afetar outras áreas como a próstata ou o epidídimo (em casos raros).
Segundo o Ministério da Saúde, a tricomoníase é a IST curável mais comum no mundo, com prevalência estimada em 5,3% entre mulheres e 0,6% entre homens globalmente. Esta é classificada como uma IST porque se transmite predominantemente por contato sexual, e sua presença pode facilitar a aquisição de outras infecções devido à inflamação que provoca nas mucosas genitais.
Em gestantes, a infecção merece atenção especial, pois pode levar a complicações como parto prematuro. Além disso, é importante ressaltar que, diferentemente de outras ISTs virais incuráveis, a tricomoníase responde bem ao tratamento com antibióticos específicos, permitindo uma cura completa quando diagnosticada precocemente.
Como acontece a transmissão
A transmissão da tricomoníase ocorre principalmente por meio de relações sexuais desprotegidas, ou seja, sem o uso de preservativos, permitindo o contato direto entre as mucosas genitais infectadas e as saudáveis. O parasita Trichomonas vaginalis é altamente contagioso nesse contexto, com taxas de transmissão que podem chegar de 60% a 80% em uma única relação sexual sem proteção, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Embora mais comum em contatos vaginais, a infecção pode se espalhar por via anal ou oral em casos raros, mas o risco é significativamente menor nesses cenários. Fatores como múltiplos parceiros sexuais ou a presença de outras ISTs aumentam a vulnerabilidade. Vale notar, também, que a tricomoníase não se transmite por objetos cotidianos, como toalhas ou assentos sanitários, pois o parasita não sobrevive por muito tempo fora do corpo humano.
De acordo com o Ministério da Saúde, a conscientização sobre práticas sexuais seguras é fundamental para reduzir a disseminação dessa infecção, especialmente em populações urbanas como a da Grande São Paulo, onde o acesso a informações e serviços de saúde pode fazer a diferença.
Sintomas da tricomoníase
Os sintomas da tricomoníase variam conforme o sexo e podem ser ausentes em até 70% dos casos, tornando a infecção silenciosa e facilitando sua propagação inadvertida. Nas mulheres, os sinais mais comuns incluem um corrimento vaginal abundante, de coloração amarelo-esverdeada ou acinzentada, com consistência espumosa e um odor desagradável semelhante a peixe podre — resultado da interação do parasita com a flora vaginal normal.
Além disso, pode haver:
- Coceira intensa (prurido);
- Ardor na região vulvar;
- Dor durante as relações sexuais (dispareunia) e ao urinar (disúria);
- Inchaço e vermelhidão na área genital.
Em homens, a tricomoníase é frequentemente assintomática, mas quando se manifesta, provoca secreção uretral clara ou purulenta, sensação de queimação ao urinar (ou ejacular) e irritação no pênis.
Estudos da Sociedade Brasileira de Infectologia indicam que esses sintomas surgem tipicamente entre 5 e 28 dias após a exposição ao parasita. Por isso, é essencial buscar avaliação médica ao notar qualquer alteração, pois o diagnóstico precoce evita agravamentos.
Diagnóstico
O diagnóstico da tricomoníase inicia-se com uma avaliação clínica detalhada, incluindo histórico sexual e exame físico para identificar sinais como corrimento ou inflamação. Para confirmação, utilizam-se testes laboratoriais, como o exame microscópico a fresco de secreções vaginais ou uretrais, em que o parasita é identificado por sua mobilidade característica.
Testes mais sensíveis, como os de amplificação de ácidos nucleicos (NAATs), detectam o DNA do Trichomonas vaginalis em amostras de urina ou cultura genital, sendo recomendados pela OMS por sua alta precisão. Em mulheres, o pH vaginal elevado (acima de 4,5) e testes como o de amina (cheiro de peixe ao adicionar hidróxido de potássio) auxiliam na suspeita. Para homens, a análise de urina ou sêmen é mais comum. Além disso, também é crucial testar para outras ISTs coinfectantes, como gonorreia e clamídia, dado o risco associado.
Tratamento
O tratamento da tricomoníase é simples e eficaz, baseado em antibióticos nitroimidazólicos como o metronidazol (dose única de 2 g ou 500 mg duas vezes ao dia por 7 dias), tinidazol e secnidazol (2 g em dose única). Esses medicamentos eliminam o parasita ao interferir em seu metabolismo, levando à cura em cerca de 95% dos casos, quando administrados corretamente.
É imperativo tratar simultaneamente os parceiros sexuais, mesmo assintomáticos, para prevenir reinfecções — uma abordagem conhecida como terapia de parceiro acelerada. Durante o tratamento, recomenda-se abstenção de álcool (para evitar reações como náuseas) e relações sexuais até a confirmação da cura por reavaliação. Em casos resistentes, doses mais altas ou prolongadas podem ser necessárias, com testes de sensibilidade realizados em laboratórios especializados.
Prevenção
A prevenção da tricomoníase centra-se em práticas sexuais seguras e educação contínua. As principais estratégias incluem:
- Uso consistente de preservativos masculinos ou femininos em todas as relações sexuais, reduzindo o risco de transmissão em até 90%, segundo o Ministério da Saúde;
- Limitação do número de parceiros sexuais e comunicação aberta sobre histórico de ISTs;
- Realização de check-ups regulares, especialmente para indivíduos sexualmente ativos, com testagem periódica para ISTs;
- Evitar o compartilhamento de objetos íntimos que possam conter secreções, embora isso seja raro na transmissão;
- Educação sexual desde a adolescência, promovendo conscientização sobre sintomas e riscos.
De acordo com a OMS, essas medidas não só previnem a tricomoníase, mas também outras ISTs associadas.
Perguntas frequentes
Qual é o cheiro característico da tricomoníase?
O cheiro característico da tricomoníase é um odor desagradável semelhante a peixe podre, resultante da produção de aminas voláteis pelo parasita em interação com a flora vaginal. Esse sintoma é mais notável em mulheres e pode intensificar-se após relações sexuais ou durante a menstruação.
Quantos dias dura a tricomoníase?
A tricomoníase pode persistir indefinidamente se não tratada, mas com o uso de antibióticos adequados, a cura geralmente ocorre em 7 a 10 dias. O período de incubação varia de 5 a 28 dias, e sintomas podem amenizar em poucos dias após o início do tratamento, mas é essencial completar o ciclo para evitar recidivas.
Ter tricomoníase significa ter HPV?
Não, ter tricomoníase não significa necessariamente ter HPV (vírus do papiloma humano). São infecções distintas: a tricomoníase é causada por um protozoário, enquanto o HPV é viral. No entanto, a presença de tricomoníase pode aumentar o risco de contrair HPV devido à inflamação genital.
Quais são as possíveis complicações da tricomoníase?
As complicações da tricomoníase incluem doença inflamatória pélvica em mulheres (levando à infertilidade ou à gravidez ectópica), parto prematuro em gestantes, prostatite (e epididimite) em homens e maior suscetibilidade ao HIV devido à inflamação mucosa.
Entre em contato e marque sua consulta com o Dr. Marcello Jardim, médico especializado em infecção urinária, HIV, sífilis, hepatites virais, doenças sexualmente transmissíveis.
Fontes:
Ministério da Saúde
Organização Mundial de Saúde
Sociedade Brasileira de Infectologia

