Quadro infeccioso não possui cura definitiva, mas pode ser prevenido e tratado
A herpes genital é uma infecção sexualmente transmissível comum que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, causando desconforto significativo e impactando a qualidade de vida se não for adequadamente gerenciada.
Causada principalmente pelo vírus herpes simplex tipo 2 (HSV-2), e também pelo tipo 1 (HSV-1), essa condição pode se manifestar com lesões dolorosas na região genital, embora muitos casos sejam assintomáticos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 400 milhões de indivíduos entre 15 e 49 anos vivem com herpes genital por HSV-2 globalmente, destacando a necessidade de conscientização e cuidados preventivos.
Neste conteúdo, abordamos os sinais, a transmissão, a possibilidade de prevenção, se há cura e os tratamentos disponíveis para essa IST, além de responder a dúvidas comuns sobre o tema.
Índice
O que é a herpes genital
A herpes genital é uma infecção viral crônica causada pelo vírus herpes simplex (HSV), que se divide em dois tipos principais: HSV-1, comumente associado a lesões orais, e HSV-2, mais prevalente nas infecções genitais. Esse vírus infecta as células da pele e das mucosas, permanecendo latente nos gânglios nervosos após a infecção inicial, o que permite reativações periódicas.
Segundo o Ministério da Saúde, a herpes genital é uma das ISTs mais frequentes no Brasil, afetando tanto homens quanto mulheres, com maior incidência em adultos jovens sexualmente ativos. A prevalência é maior entre as mulheres devido à facilidade de transmissão do homem para a mulher durante o contato sexual. Essa infecção, vale destacar, não é curável, mas pode ser controlada para minimizar os impactos na rotina diária.
Sinais e sintomas
Os sinais e sintomas da herpes genital variam de pessoa para pessoa, sendo mais intensos no primeiro episódio. Tipicamente, incluem formigamento, coceira ou queimação na região genital, seguidos pelo aparecimento de pequenas vesículas agrupadas em uma base avermelhada, que evoluem para úlceras dolorosas e crostas ao cicatrizar.
Essas lesões podem afetar áreas como pênis, vulva, vagina, colo do útero, ânus ou regiões adjacentes, como coxas e períneo. De acordo com a OMS, até 70% das infecções por herpes genital são assintomáticas, mas quando presentes, os sintomas incluem dor ao urinar (disúria), inchaço nos gânglios linfáticos da virilha e, no surto inicial, febre, mal-estar geral e fadiga. Em homens, as lesões são comuns no prepúcio e na glande; em mulheres, podem aumentar o corrimento vaginal.
Estudos da Sociedade Brasileira de Infectologia indicam que as recorrências são mais leves e duram menos tempo, mas podem ser desencadeadas por estresse, imunossupressão ou ciclos menstruais. É essencial reconhecer esses sinais precocemente para buscar tratamento e evitar complicações.
Como ocorre a transmissão da herpes genital
A transmissão da herpes genital ocorre principalmente por contato direto (pele a pele) durante relações sexuais vaginais, anais ou orais com uma pessoa infectada, mesmo na ausência de lesões visíveis. O vírus é liberado intermitentemente pela pele ou pelas mucosas, facilitando a disseminação assintomática, que responde por grande parte dos casos.
Além disso, o risco é maior durante os surtos com lesões ativas, mas pode acontecer em qualquer momento. Fatores como múltiplos parceiros sexuais ou a presença de outras ISTs aumentam a vulnerabilidade de infecção. Em gestantes, há risco de transmissão vertical ao bebê durante o parto, especialmente se houver infecção primária recente, o que pode levar a complicações graves no neonato.
Também se enfatiza que o contato oral-genital pode transferir o HSV-1 da boca para a região genital, ampliando as vias de contágio. Por isso, evitar relações durante crises sintomáticas é crucial para reduzir a propagação do quadro.
É possível prevenir a herpes genital?
Sim, é possível prevenir a herpes genital adotando medidas de proteção durante as relações sexuais e hábitos de vida saudáveis. As principais estratégias incluem:
- Uso consistente de preservativos de látex em todas as relações, que reduz o risco em até 90%, embora não elimine este completamente devido a lesões em áreas não cobertas;
- Manutenção de relacionamentos monogâmicos mutuamente com parceiros testados e não infectados;
- Abstenção de contato sexual durante surtos com lesões ou sintomas prodrômicos;
- Realização de check-ups regulares para detecção precoce de ISTs, especialmente para indivíduos com múltiplos parceiros.
De acordo com a OMS, vacinas experimentais contra o HSV estão em desenvolvimento, mas ainda não estão disponíveis. Além disso, fortalecer o sistema imunológico por meio de uma dieta equilibrada, sono adequado e gerenciamento de estresse ajuda a reduzir as recorrências da infecção.
A herpes genital tem cura?
Não, a herpes genital não tem cura definitiva, pois o vírus HSV permanece latente no organismo por toda a vida, alojado nos gânglios nervosos sensoriais. Após a infecção inicial, o vírus pode reativar-se periodicamente, causando surtos recorrentes. No entanto, com tratamento adequado, é possível controlar os sintomas, reduzir a frequência das crises e minimizar o risco de transmissão.
Estudos da Sociedade Brasileira de Infectologia mostram que, em indivíduos com sistema imunológico saudável, as recorrências diminuem com o tempo, ocorrendo em média de 4 a 5 vezes por ano para HSV-2. Em pacientes imunossuprimidos, como portadores de HIV, as crises podem ser mais frequentes e graves. O foco, portanto, está na gestão crônica da condição para promover uma vida normal e saudável.
Tratamentos para herpes genital
Os tratamentos para herpes genital visam aliviar sintomas, acelerar a cicatrização e prevenir recorrências, utilizando principalmente antivirais orais como aciclovir, valaciclovir e famciclovir. Esses medicamentos inibem a replicação viral, reduzindo a duração das crises em até 50% quando iniciados nos primeiros dias.
Para episódios iniciais graves, recomenda-se terapia de 7 a 10 dias; para recorrências, de 3 a 5 dias. Em casos de surtos frequentes (mais de 6 por ano), a terapia supressiva diária com doses baixas pode reduzir as ocorrências em 70% a 80%. Cremes tópicos com antivirais complementam o alívio local, mas não substituem o tratamento oral.
Perguntas frequentes
O que pode ser confundido com herpes genital?
A herpes genital pode ser confundida com condições como infecções fúngicas (candidíase), bacterianas (sífilis), dermatites alérgicas ou até foliculite. Lesões ulcerativas dolorosas são chave para diferenciação, mas exames laboratoriais como PCR ou sorologia confirmam o diagnóstico, evitando erros.
Quanto tempo dura uma crise de herpes genital?
Uma crise de herpes genital dura tipicamente de 7 a 10 dias no primeiro episódio, com cicatrização completa em até 3 semanas. Recorrências são mais curtas, de 4 a 7 dias, e menos intensas. Fatores como imunidade influenciam a duração, segundo o Ministério da Saúde.
Como saber se é herpes ou não? (formas de diagnóstico)
Para confirmar se é herpes genital, inicia-se com exame clínico das lesões. Testes laboratoriais incluem PCR para detecção do DNA viral em amostras de lesões (mais sensíveis), cultura viral ou sorologia para anticorpos IgM/IgG. A OMS recomenda esses métodos para diagnóstico preciso, especialmente em assintomáticos.
Entre em contato e marque sua consulta com o Dr. Marcello Jardim, médico especializado em infecção urinária, HIV, sífilis, hepatites virais, doenças sexualmente transmissíveis.
Fontes:
Organização Mundial da Saúde
Ministério da Saúde
Sociedade Brasileira de Infectologia

